
Desde o Grande Prêmio da Alemanha de 2009, quando Mark Webber cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, que a Fórmula 1 não vê o surgimento de um novo vencedor. O triunfo que motivou um choro compulsivo do australiano, o 102º piloto a entrar na seleta lista de vitoriosos da categoria máxima, marcou também o início do mais recente hiato de novos nomes no alto do pódio. Já se vão mais de dois anos sem que alguém vença pela primeira vez.
Em mais de seis décadas, foram poucas as oportunidades em que uma temporada terminou sem que surgisse um novo vencedor. A primeira vez que isso aconteceu foi em 1954. Das nove provas disputadas, o campeão Juan Manuel Fangio faturou seis, deixando mais remotas as chances dos rivais. Domínios à parte, o fiel da balança acabou sendo a edição daquele ano das 500 Milhas de Indianápolis. Entre 1950 e 1960, a prova contou pontos para o Mundial de Fórmula 1, embora as participações de times e pilotos europeus fosse quase nula. Dentro desta sequência, 1954 foi o primeiro ano em que a corrida repetiu um vencedor, o estadunidense Bill Vukovich.
Diante da competitividade e do alto risco dos anos sessenta e setenta, levou quase três décadas para que isso se repetisse. E logo em dobro: todos os pilotos que venceram provas em 1983 e 1984 já haviam triunfado anteriormente na categoria. Isso provocou um jejum jamais visto, contando 939 dias (cerca de dois anos e sete meses) entre a primeira vitória de Michelle Alboreto, em setembro de 1982, e a entrada de Ayrton Senna no clube dos vitoriosos, em abril de 1985.

Tal período de entressafra pode ser explicado, em parte, pelo fato de que outros quatro pilotos, além de Alboreto, subiram ao topo do pódio pela primeira vez em 1982. Da mesma forma, o fim do efeito solo e o surgimento da fibra de carbono tornaram os carros mais seguros, deixando os pilotos menos expostos a longos afastamentos e fatalidades – o que evidentemente diminuiu a rotatividade em cockpits de ponta.
Mas foi justamente a turma que debutou no clube dos vencedores a partir de 1985 que acabou sendo responsável por um novo jejum pouco tempo depois. Ayrton Senna, Nigel Mansell e Gerhard Berger (este já de 1986) disputaram com Nelson Piquet e Alain Prost vitórias e campeonatos nas temporadas seguintes, deixando pouco espaço para os novatos entre 1987 e 1988. Assim, o recorde anterior foi batido, com 980 dias sem vencedores inéditos na F-1, coisa de dois anos e meio.
No entanto, o domínio da geração do quarteto fantástico poderia ser muito maior: os dois novos vencedores de 1989 foram mais fruto de circunstâncias esquisitas do que de mérito próprio. No Canadá, sob um dilúvio, o belga Thierry Boutsen aproveitou-se de diversos abandonos, incluindo o de Senna a quatro voltas da bandeirada, para conquistar a primeira de suas três vitórias na categoria. No fim do ano, quando a guerra entre Senna e Prost pelo título foi às vias de fato, o italiano Alessandro Nannini, numa improvável Benetton, herdou a vitória numa controversa desclassificação que eliminou as chances do brasileiro naquele campeonato.

Com todas as feras dos anos oitenta em atividade e mais estes dois novos nomes na lista, a Fórmula 1 viveu enfim seu maior período sem vencedores inéditos. Mais de dois anos e dez meses até um certo Michael Schumacher surpreender a concorrência numa prova confusa para levantar o troféu no GP da Bélgica, em agosto de 1992. Ao todo, 1043 dias, que poderiam ser mais de 2000, não fossem os tropeços dos favoritos na temporada 1989.
Desde então, não se viu mais um período tão longo sem novos vencedores na Fórmula 1, embora em algumas temporadas não tenha havido caras novas no alto dos pódios. Casos dos campeonatos polarizados de 1994, 1998, 2002 e 2005, quando dois concorrentes ao título ficaram com a maior parte das vitórias. Com o surgimento de uma geração vencedora a partir de 2006, que começou com os triunfos de Jenson Button e Felipe Massa ainda naquele ano, o fato só viria a se repetir em 2010, quando cinco pilotos disputaram palmo a palmo o campeonato.

Ultrapassando os dois anos, a ‘seca’ iniciada pela vitória de Webber em 12 de julho de 2009 já se aproxima do mais recente hiato, ocorrido entre maio de 2004 (quando Trulli venceu pela única vez, em Mônaco) e agosto de 2006, época da primeira vitória de Button. Foram 805 dias, número que será igualado caso nenhum vencedor novato apareça até o GP de Cingapura deste ano, no fim de setembro. Considerando-se o grande número de vencedores no grid atual (dez, ao todo) e os carros à disposição dos que ainda não venceram, é bem provável que a Fórmula 1 caminhe para um novo ciclo como o de 1989-1992.
Enquanto isso, fica a torcida para que ‘ases’ como Nico Rosberg, Adrian Sutil, Kamui Kobayashi, Nick Heidfeld e Vitaly Petrov, entre outros menos cotados, furem o domínio de Vettel, Webber, Alonso, Button Hamilton e companhia. Uma tarefa mais complexa do que parece.
Anúncios velozes: Honda, 2005
Uma das montadoras mais bem-sucedidas do mundo, a Honda faz questão de demonstrar em suas campanhas publicitárias algumas características determinantes na formação e no crescimento da empresa. Como prova, este filme de 2005 mescla o DNA das competições, sobre duas ou quatro rodas (a até na água), a busca constante pela excelência, entre outros predicados. Vale pelas belas e históricas imagens, num momento em que a empresa estava prestes a assumir o controle acionário da equipe BAR na Fórmula 1, e que teria como ponto alto a vitória de Jenson Button no GP da Hungria de 2006.
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