30 de agosto de 2010Crônica Motor

A pista das cinco mulheres

A etapa de Chicago da Fórmula Indy, disputada no último sábado, foi uma daquelas corridas de prender a respiração, bem ao gosto dos norte-americanos: muitos carros andando juntos, diversas trocas de líderes e decisão só na bandeirada. Para se ter uma ideia da competitividade desta prova, 11 pilotos lideraram, com o primeiro lugar mudando de mãos 25 vezes. E os 14 primeiros, que estavam na mesma volta, terminaram separados pela inacreditável margem de um segundo e meio.

A brasileira Bia Figueiredo: maquiagem, brincos, unhas feitas e muita velocidade na Fórmula Indy 2010

Mas o que mais me chamou a atenção sobre esta corrida não foi exatamente o suspense sobre quem venceria, nem o resultado, que arruinou a vantagem de Will Power na pontuação e devolveu a Dario Franchitti as esperanças de conquistar o título. E sim o fato de que, dos 29 pilotos que alinharam em Chicago, cinco eram do sexo feminino. O equivalente a 1/6 do grid, número pra lá de significativo em se tratando de uma categoria top do automobilismo mundial.

Sinceramente, não sei se isso se trata de um recorde ou não. Imagino que seja, sim, mas torço para que ele seja batido logo. Que em breve sejam incorporadas mais pilotos mulheres (pilotas?) no time formado no Chicagoland Speedway pelas estadunidenses Danica Patrick e Sarah Fischer, pela suíça Simona de Silvestro, pela venezuelana Milka Duno e pela brasileira Bia Figueiredo – que nos Estados Unidos atente por Ana Beatriz. Uma menina talentosa que merece uma oportunidade para fazer uma temporada completa e se firmar de vez no automobilismo internacional.

Tudo bem que a Indy é mais aberta a estas coisas, mas por que não pensar em mulheres também na Fórmula 1? Em seis décadas de história, somente duas se aventuraram nas pistas da categoria máxima. Provavelmente, não é de hoje que Bernie Ecclestone deve sonhar com uma moça competitiva e boa de mídia, para funcionar como mais uma ferramenta de expansão de público. A aposta do Fórmula Grün é que, caso Simona de Silvestro – a estreante sensação de 2010 - faça um bom campeonato na Indy em 2011, acabará se tornando a menina dos olhos do chefão comercial da F-1. Europeia, simpática, jovem (está com apenas 20 anos), pode ser um bom nome para 2012.

Seja como for, os marmanjos que se cuidem. Elas chegaram para ficar.

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Um Comentário

  1. César Gomes
    Escrito 2 de setembro de 2010 em 11:40 | Permalink

    Vale lembrar também que na GT1 um dos Ford GT tem apenas “pilotas” duas titulares e uma reserva. Uma delas inclusive sofreu um acidente feio e quebrou uma perna na etapa inicial da categoria em Abu Dhabi.

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Jornalista, 35, blogueiro, carioca, taurino, apaixonado e pseudopiloto de kart.