
Durante muitos anos, quando alguém queria se referir a um carro lento fazendo analogia com a Fórmula 1, dizia: “parece uma Minardi!”. Afinal, o time fundado por Giancarlo Minardi, que correu na categoria máxima entre 1985 e 2005, passou grande parte deste tempo fechando o grid e disputando as últimas posições. No entanto, neste período, jamais foi cogitado qualquer movimento no sentido de tirar da equipe o direito de competir entre a elite do automobilismo. Além de ser um grupo composto por gente simpática e simples para os padrões da categoria, a Minardi era sinônimo de luta, perseverança e idealismo. Não importava o fato de estarem com orçamentos apertados e relegados ao fim da fila. O que valia era estarem ali.
Ao fim de 2005, a corrida financeira tornou inviável o sonho do garagista italiano, que já havia passado o controle acionário do time ao milionário australiano Paul Stoddart. Cortejados pelos euros dos mesmos fundadores da Red Bull Racing, os dirigentes da Minardi deram um ponto final à história da equipe, para que em seu lugar nascesse a Scuderia Toro Rosso. Uma equipe que desde então viveu altos e baixos na categoria, mas que já teve a honra de vencer uma corrida em 2008, pelas mãos do talentoso Sebastian Vettel e atualmente mantém uma distância segura da última fila.

Infelizmente, hoje em dia a Fórmula 1 não tem mais a sua Minardi. Sem dinheiro e com a estrutura comprometida, a Hispania é, em termos de resultados, o que os italianos foram em outros tempos. No entanto, o time sediado na região de Murcia não tem e nunca teve o carisma de seus antecessores. Trata-se de um projeto que tinha ótimas intenções pelas mãos do fundador original, Adrian Campos, mas que por força das circunstâncias acabou fadado ao fracasso antes mesmo de vir à luz. Com a mudança de comando e o rompimento com os parceiros que tocaram o projeto desde o início, a equipe já nasceu na condição de patinho feio da categoria.
Infelizmente, o círculo vicioso formado por desempenhos pífios + orçamento apertado só tende a piorar, e está colocando em risco a carreira dos estreantes Bruno Senna e Karun Chandhok. No desespero, os chefes do time já colocaram o reserva japonês Sakon Yamamoto no lugar do brasileiro, para depois fazer o mesmo com o indiano. Por estas e outras que muitos afirmam que a equipe mal terá condições de chegar ao fim da temporada. Estar no grid em 2011, então, será praticamente um milagre. E, se de fato fechar, é bem provável que ninguém sinta falta dela. Porque na Fórmula 1, até para ser Minardi, o buraco é bem mais embaixo.
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Sem velocidade e sem charme
Durante muitos anos, quando alguém queria se referir a um carro lento fazendo analogia com a Fórmula 1, dizia: “parece uma Minardi!”. Afinal, o time fundado por Giancarlo Minardi, que correu na categoria máxima entre 1985 e 2005, passou grande parte deste tempo fechando o grid e disputando as últimas posições. No entanto, neste período, jamais foi cogitado qualquer movimento no sentido de tirar da equipe o direito de competir entre a elite do automobilismo. Além de ser um grupo composto por gente simpática e simples para os padrões da categoria, a Minardi era sinônimo de luta, perseverança e idealismo. Não importava o fato de estarem com orçamentos apertados e relegados ao fim da fila. O que valia era estarem ali.
Ao fim de 2005, a corrida financeira tornou inviável o sonho do garagista italiano, que já havia passado o controle acionário do time ao milionário australiano Paul Stoddart. Cortejados pelos euros dos mesmos fundadores da Red Bull Racing, os dirigentes da Minardi deram um ponto final à história da equipe, para que em seu lugar nascesse a Scuderia Toro Rosso. Uma equipe que desde então viveu altos e baixos na categoria, mas que já teve a honra de vencer uma corrida em 2008, pelas mãos do talentoso Sebastian Vettel e atualmente mantém uma distância segura da última fila.
Infelizmente, hoje em dia a Fórmula 1 não tem mais a sua Minardi. Sem dinheiro e com a estrutura comprometida, a Hispania é, em termos de resultados, o que os italianos foram em outros tempos. No entanto, o time sediado na região de Murcia não tem e nunca teve o carisma de seus antecessores. Trata-se de um projeto que tinha ótimas intenções pelas mãos do fundador original, Adrian Campos, mas que por força das circunstâncias acabou fadado ao fracasso antes mesmo de vir à luz. Com a mudança de comando e o rompimento com os parceiros que tocaram o projeto desde o início, a equipe já nasceu na condição de patinho feio da categoria.
Infelizmente, o círculo vicioso formado por desempenhos pífios + orçamento apertado só tende a piorar, e está colocando em risco a carreira dos estreantes Bruno Senna e Karun Chandhok. No desespero, os chefes do time já colocaram o reserva japonês Sakon Yamamoto no lugar do brasileiro, para depois fazer o mesmo com o indiano. Por estas e outras que muitos afirmam que a equipe mal terá condições de chegar ao fim da temporada. Estar no grid em 2011, então, será praticamente um milagre. E, se de fato fechar, é bem provável que ninguém sinta falta dela. Porque na Fórmula 1, até para ser Minardi, o buraco é bem mais embaixo.