*A carta escrita por Valentino
Ainda bem jovem, ele ficou famoso pelo estilo pouco convencional. Pelos cabelos engraçados, pelas comemorações malucas, pelo excêntrico e fiel fã-clube que o acompanhava a cada prova. Mas Valentino Rossi – o multicampeão do motocliclismo, o mago das duas rodas, o doutor das pistas – é, acima de tudo, um homem simples. Aquele menino, já nem tão menino assim aos 31, que continua fazendo o que sabe, esteja ou não sobre uma moto.
E o que Valentino sabe muito bem é falar com o coração. Seja quando empina a moto após as vitórias, quando sorri para os fãs que aplaudem seus títulos, quando volta a correr mesmo sem estar 100% recuperado de uma fratura na perna. Ou quando simplesmente faz como neste domingo, quando escreveu uma carta do próprio punho para anunciar que está de mudança da Yamaha.
Valentino é assim. Quando dele se espera qualquer coisa, ainda tem o dom de surpreender. É um gênio da raça, impecável em sua técnica, mas que sabe ir muito além disso. É uma figura que com seu infinito carisma ultrapassa as fronteiras dos circuitos, transcendendo o motociclismo, o esporte a motor e até o esporte em si. Valentino Rossi é um embaixador do otimismo, da força de vontade, da alegria de se fazer o que ama. Em resumo, um cara especial.
A despedida de hoje, anunciando que está a caminho da Ducati após sete anos vestindo as cores da Yamaha, é daquelas que tocam o coração. Poderia ser uma coletiva, poderia ser um vídeo, poderia ser uma porção de coisas. Mas poderia ser, como foi, simplesmente Valentino. Uma carta de amor, daquelas de quem sabe que cumpriu sua missão e agora precisa de novos desafios. Não que ele estivesse infeliz no time japonês. Foi apenas coerente com sua própria natureza. Valentino é um homem movido pelo amanhã.
É muito difícil explicar em apenas algumas palavras o que minha relação com a Yamaha foi nos últimos anos.
Muitas coisas mudaram desde que entrei no time, em 2004, mas especialmente “ela”, minha M1, mudou. Àquela época ela era uma moto de meio de grid, desprezada por grande parte dos pilotos da MotoGP.
Agora, após ajudá-la a melhorar, vocês podem vê-la sorrindo na garagem, cortejada e admirada, tratada como “a melhor da categoria.”
A lista de pessoas que permitiu que essa transformação fosse possível é longa, mas gostaria de agradecer a Masao Furusawa, Masahiko Nakajima e Hiroya Atsumi, como representantes de todos os engenheiros com quem trabalhei e tomaram conta dela com amor.
Agora chegou o momento de procurar novos desafios, meu trabalho na Yamaha acabou. Infelizmente, até as mais bonitas histórias de amor terminam, mas deixam memórias maravilhosas, como quando eu e minha M1 nos beijamos pela primeira vez na grama de Welkom, quando ela olhou direto para os meus olhos e me disse “eu te amo”.
Valentino Rossi
Tradução: site Tazio






Um Comentário
Menos é mais.
Quando todo mundo acha que o cara vai dar uma coletiva pendurado no lustre, ele vai lá e retorna laáááááááá num passado muito muito longe, onde cartas de amor eram tão mais sentidas e mais pessoais do que um email, uma coletiva.
Valentino, sim, é gênio…muito mais herói do que um certo alemão.
Eu sou fã, sim, e sonho em entrevistá-lo, sim.