De 2000 a 2005, Rubens Barrichello foi companheiro de Michael Schumacher na Ferrari. Mais do que isso, na verdade. O brasileiro foi um fiel escudeiro, combativo com os rivais e comportado no seio da equipe, atuando de maneira diretamente responsável nas conquistas do time. Uma fase de implacável sucesso vermelho, que resultou em cinco taças de construtores para os italianos e cinco títulos para o alemão.

Mas, apesar das nove vitórias e dois vice-campeonatos conquistados neste período, Rubens saiu da Ferrari amargurado. Não apenas pelo tratamento de segundo piloto que recebia do time – algo estabelecido em contrato, evidentemente – mas principalmente pela forma pouco sutil com a qual Schumacher “agradecia” seus serviços. Não foram poucas as vezes em que o heptacampeão mundial bateu rodas com Barrichello, jogando-o para fora da pista, ou então desrespeitou acordos internos de manutenção das posições de pista quando se via atrás do brasileiro. A gota d’água para pedir as contas antes do fim do contrato foi justamente numa destas situações, quando o alemão ultrapassou Rubens na última volta do GP de Mônaco de 2005 de forma surpreendente e igualmente arriscada.
No último domingo, em Hungaroring, aqueles seis anos voltaram aos olhos de Barrichello no momento em que ele retornou do pit stop num ritmo forte e encontrou o velho rival logo à frente. Restavam poucas voltas para o fim da prova e uma eventual ultrapassagem valeria um mero décimo lugar, um pontinho no Mundial. Pouco importava. Era bem mais que isso que estava em jogo naquela briga. Da qual Rubens se viu na obrigação de vencer, em nome dos seis anos de uma relação conturbada e mal resolvida.

Quando enfim o carro azul da Williams ganhou a reta no vácuo do Mercedes número 3, foram seis segundos de apreensão por parte do público, que acompanhou a manobra prendendo a respiração. Barrichello lançou-se por dentro e, destemido, seguiu seu rumo mesmo sendo espremido covardemente contra o muro de concreto. Acelerou tudo o que pôde no mínimo de pista, e efetuou a ultrapassagem usando a saída dos boxes, tal foi o espaço (ou a falta dele) deixado pelo alemão. Os mecânicos da Williams, acompanhando tudo atentos, comemoraram. Três voltas depois, ao receber a bandeirada, Rubens fez o mesmo. E não tinha como ser diferente. Como disse ele, não desta vez.
Julgado pelos comissários por causa da manobra perigosa que quase causou um acidente, Michael Schumacher vai perder dez posições no grid da próxima prova, na Bélgica. Justamente a corrida em que Rubens Barrichello vai comemorar 300 largadas na Fórmula 1. Pensando bem, é melhor que o alemão não tente uma revanche. Não desta vez.
Seis anos em seis segundos
De 2000 a 2005, Rubens Barrichello foi companheiro de Michael Schumacher na Ferrari. Mais do que isso, na verdade. O brasileiro foi um fiel escudeiro, combativo com os rivais e comportado no seio da equipe, atuando de maneira diretamente responsável nas conquistas do time. Uma fase de implacável sucesso vermelho, que resultou em cinco taças de construtores para os italianos e cinco títulos para o alemão.
Mas, apesar das nove vitórias e dois vice-campeonatos conquistados neste período, Rubens saiu da Ferrari amargurado. Não apenas pelo tratamento de segundo piloto que recebia do time – algo estabelecido em contrato, evidentemente – mas principalmente pela forma pouco sutil com a qual Schumacher “agradecia” seus serviços. Não foram poucas as vezes em que o heptacampeão mundial bateu rodas com Barrichello, jogando-o para fora da pista, ou então desrespeitou acordos internos de manutenção das posições de pista quando se via atrás do brasileiro. A gota d’água para pedir as contas antes do fim do contrato foi justamente numa destas situações, quando o alemão ultrapassou Rubens na última volta do GP de Mônaco de 2005 de forma surpreendente e igualmente arriscada.
No último domingo, em Hungaroring, aqueles seis anos voltaram aos olhos de Barrichello no momento em que ele retornou do pit stop num ritmo forte e encontrou o velho rival logo à frente. Restavam poucas voltas para o fim da prova e uma eventual ultrapassagem valeria um mero décimo lugar, um pontinho no Mundial. Pouco importava. Era bem mais que isso que estava em jogo naquela briga. Da qual Rubens se viu na obrigação de vencer, em nome dos seis anos de uma relação conturbada e mal resolvida.
Quando enfim o carro azul da Williams ganhou a reta no vácuo do Mercedes número 3, foram seis segundos de apreensão por parte do público, que acompanhou a manobra prendendo a respiração. Barrichello lançou-se por dentro e, destemido, seguiu seu rumo mesmo sendo espremido covardemente contra o muro de concreto. Acelerou tudo o que pôde no mínimo de pista, e efetuou a ultrapassagem usando a saída dos boxes, tal foi o espaço (ou a falta dele) deixado pelo alemão. Os mecânicos da Williams, acompanhando tudo atentos, comemoraram. Três voltas depois, ao receber a bandeirada, Rubens fez o mesmo. E não tinha como ser diferente. Como disse ele, não desta vez.
Julgado pelos comissários por causa da manobra perigosa que quase causou um acidente, Michael Schumacher vai perder dez posições no grid da próxima prova, na Bélgica. Justamente a corrida em que Rubens Barrichello vai comemorar 300 largadas na Fórmula 1. Pensando bem, é melhor que o alemão não tente uma revanche. Não desta vez.