13 de julho de 2010Crônica Motor

Quem não te conhece que te compre, Webber

Foram mais de 130 corridas até chegar à primeira vitória. Uma carreira de poucos altos, muitos baixos e um histórico pouco ortodoxo por onde passou, com relação a seus companheiros de equipe. Mark Webber, o mesmo que detonou Pizzonia na Jaguar, azedou o clima na Williams e era dado como quase aposentado no início de 2009, conseguiu milagrosamente ‘encaixar’, como se diz na gíria. Antes tarde do que nunca. Em uma temporada marcada pelo equilíbrio, com cinco vencedores diferentes em dez corridas, o australiano já venceu três e está fazendo sua parte na luta pelo título. Inclusive remando contra a vontade do time.

 Não é segredo para ninguém que a Red Bull Racing enxerga Sebastian Vettel com os olhos de quem descobriu uma mina de ouro e quer enriquecer o quanto antes. O alemãozinho, além de jovem (uma qualidade na Fórmula 1 de hoje em dia), é um talento de valor inquestionável. Mas que ainda precisa ser lapidado, embora muita gente já tivesse sacramentado sua maturidade na conquista do vice-campeonato na temporada passada. Acontece que, no último domingo, Vettel deu mais uma prova de que ainda é uma presa fácil para um sujeito manipulador como seu companheiro de equipe.

 De fato, Webber teve motivos para reclamar depois do que aconteceu no treino classificatório. Isto porque cada um dos dois pilotos ganhou do time um exemplar de uma nova asa dianteira, resultado de horas e horas de testes dos engenheiros no túnel de vento. Aí foram os dois para o treino livre, e Vettel voltou aos boxes com a dele quebrada. Ganhou bronca? Que nada! Ganhou de presente a que estava no carro de Webber para classificar! Fantástico, não? Na primeira descida ao play, um de seus filhos quebra o presente que ganhou e você tira o do outro filho e entrega a ele! É claro que isso não tem como dar certo…

 Pois Vettel, que fez a pole com o artefato instalado na dianteira, alinhou ao lado do companheiro no grid do GP da Inglaterra, no remodelado traçado de Silverstone. Na flor de sua maturidade juvenil, largou mal e deu de cara com Webber mais rápido ainda, fazendo a curva pelo lado de dentro. O alemão dançou na trajetória, embarrigou a curva e acabou com um pneu furado depois de um toque com Lewis Hamilton, da McLaren. Terminou em sétimo, mas arruinou mais uma corrida que lhe daria no mínimo um pódio. Webber, dando de ombros, seguiu em frente e venceu.

O melhor da festa ficou para o momento em que Webber comemorava a vitória, falando com sua equipe pelo rádio: “nada mau para o piloto número dois”, disse ele. Pouca sutileza, alguma sinceridade e nenhuma coerência para dar seu recado. Ao questionar publicamente as decisões da Red Bull Racing apresentando resultados, Mark Webber ganhou pontos com os fãs da Fórmula 1, não há dúvida. Mas se por um lado sua coragem em peitar as chefias merece aplausos (mais pelo efeito incendiário, diga-se a verdade), por outro é uma ironia com o próprio passado do piloto, que nunca poupou esforços para fazer política dentro do time e manipular companheiros em prol de seus bem traçados objetivos. Quem não conhece a peça, que compre o barulho.

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Um Comentário

  1. Fabrizio Salina
    Escrito 14 de julho de 2010 em 21:20 | Permalink

    Prezado, concordo em partes.
    Pizzonia era lento… se comparado ao Weber. Na Jaguar, só tinham carro para classificações, pois não tinham ritmo de corrida, e o canguru fazia um temporal, tanto que o Galvão o alcunhou de “leão de treino”, fama que aos poucos amaina em face da constância adquirida.
    Weber é o Massa da Boi Caprichoso, só que Vetel não está para o Schumacker (o dos bons tempos, diga-se).
    No mais, o blog está bom, os comentários legais.
    Grande abraço!

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Jornalista, 35, blogueiro, carioca, taurino, apaixonado e pseudopiloto de kart.