Para triunfar em Mônaco, é preciso um quê de realeza. Isso porque, ano após ano, o piloto que recebe o troféu de vencedor das mãos do Príncipe é, geralmente, aquele que se mostra o mais majestoso na pista urbana ao final das quase duas horas de prova. Aquele que reina sem cometer erros, que comanda de maneira impecável os que se limitam a segui-lo pelas ruas de Montecarlo. Vencer o Grande Prêmio de Mônaco significa coroar uma carreira, mesmo que fora daquele território ela seja tão plebeia quanto qualquer outra.

Neste fim de semana, Mark Webber mostrou que também pode reinar. Pela primeira vez em sua carreira de 144 GPs, o australiano assumiu a liderança do Mundial de Fórmula 1. E fez isso após duas exibições de gala, na Espanha e em Mônaco, com apenas uma semana de intervalo. Uma fase para Sebastian Vettel nenhum botar defeito. O alemão, a propósito, parece ter sentido o golpe, limitando sua reação à autoria da volta mais rápida, numa prova em que o companheiro da Red Bull Racing fez a pole e liderou de ponta a ponta, com autoridade indiscutível.
Mesmo sem vencer, outros dois pilotos mostraram (de novo) que têm sangue azul. Robert Kubica, que colocou uma Renault na primeira fila, foi ao pódio em terceiro depois de perder a posição para Vettel na primeira curva, mas esteve sempre no encalço do rival. E Fernando Alonso, largando dos boxes depois de bater no último treino livre, usou a inteligência (executando a troca obrigatória de pneus logo na primeira volta) e a habilidade (chegou à zona de pontuação já na 21ª volta) para terminar a prova em sexto lugar – duas posições atrás do companheiro Felipe Massa, que chegou no mesmo quarto posto de onde largou. Menção Honrosa para Rubens Barrichello, que colocou a Williams na superpole e estava em quinto lugar quando a suspensão arrebentou, provocando uma pancada forte no guard-rail e o consequente abandono.

No entanto, enquanto uns mostravam realeza nas ruas de Mônaco, outros conseguiram ser previsíveis feito um realejo. Que, para quem não conhece, nada mais é do que um instrumento que toca uma velha e conhecida canção quando se aciona uma manivela. Insistindo na mesma tecla já tocada outras vezes, Jarno Trulli provocou a última das quatro entradas do safety-car ao atropelar (literalmente) o carro de Karun Chandok. O italiano colocou em risco a vida do indiano apenas para tentar livrar-se da última posição. E foi justamente por causa deste acidente que outro piloto mostrou seu complexo de realejo, repetindo pela enésima vez sua manjadíssima toada.
Sim, o mesmo Michael Schumacher e o mesmo Ross Brawn de tantas presepadas voltaram a aprontar num visível ‘se colar colou’, exatamente no momento em que o carro de segurança deixou a pista. Diz o regulamento que quando a última volta é feita sob intervenção, as ultrapassagens são proibidas até a bandeirada, mesmo quando o safety-car vai para os boxes. A ordem de ‘track clear’, neste caso, vira uma mera formalidade, para que a corrida termine como se estivesse em bandeira verde. Mas, como quem não quer nada, lá foi Schumacher todo faceiro para cima de Alonso, num empurra-empurra que lhe fez ganhar a 6ª posição de mentirinha. Punido com 20 segundos de acréscimo por desrespeitar o regulamento, o alemão caiu para 12º. E guardou mais uma Schumacada na coleção, a terceira só em Mônaco. Algo lamentável para um piloto com tantos títulos.
Entre realezas e relejos, agora nos resta torcer para que a Red Bull, com o líder e o vice-líder do campeonato em seus cockpits, não transforme este campeonato num samba de uma nota só.
A realeza e o realejo
Para triunfar em Mônaco, é preciso um quê de realeza. Isso porque, ano após ano, o piloto que recebe o troféu de vencedor das mãos do Príncipe é, geralmente, aquele que se mostra o mais majestoso na pista urbana ao final das quase duas horas de prova. Aquele que reina sem cometer erros, que comanda de maneira impecável os que se limitam a segui-lo pelas ruas de Montecarlo. Vencer o Grande Prêmio de Mônaco significa coroar uma carreira, mesmo que fora daquele território ela seja tão plebeia quanto qualquer outra.
Neste fim de semana, Mark Webber mostrou que também pode reinar. Pela primeira vez em sua carreira de 144 GPs, o australiano assumiu a liderança do Mundial de Fórmula 1. E fez isso após duas exibições de gala, na Espanha e em Mônaco, com apenas uma semana de intervalo. Uma fase para Sebastian Vettel nenhum botar defeito. O alemão, a propósito, parece ter sentido o golpe, limitando sua reação à autoria da volta mais rápida, numa prova em que o companheiro da Red Bull Racing fez a pole e liderou de ponta a ponta, com autoridade indiscutível.
Mesmo sem vencer, outros dois pilotos mostraram (de novo) que têm sangue azul. Robert Kubica, que colocou uma Renault na primeira fila, foi ao pódio em terceiro depois de perder a posição para Vettel na primeira curva, mas esteve sempre no encalço do rival. E Fernando Alonso, largando dos boxes depois de bater no último treino livre, usou a inteligência (executando a troca obrigatória de pneus logo na primeira volta) e a habilidade (chegou à zona de pontuação já na 21ª volta) para terminar a prova em sexto lugar – duas posições atrás do companheiro Felipe Massa, que chegou no mesmo quarto posto de onde largou. Menção Honrosa para Rubens Barrichello, que colocou a Williams na superpole e estava em quinto lugar quando a suspensão arrebentou, provocando uma pancada forte no guard-rail e o consequente abandono.
No entanto, enquanto uns mostravam realeza nas ruas de Mônaco, outros conseguiram ser previsíveis feito um realejo. Que, para quem não conhece, nada mais é do que um instrumento que toca uma velha e conhecida canção quando se aciona uma manivela. Insistindo na mesma tecla já tocada outras vezes, Jarno Trulli provocou a última das quatro entradas do safety-car ao atropelar (literalmente) o carro de Karun Chandok. O italiano colocou em risco a vida do indiano apenas para tentar livrar-se da última posição. E foi justamente por causa deste acidente que outro piloto mostrou seu complexo de realejo, repetindo pela enésima vez sua manjadíssima toada.
Entre realezas e relejos, agora nos resta torcer para que a Red Bull, com o líder e o vice-líder do campeonato em seus cockpits, não transforme este campeonato num samba de uma nota só.