18 de fevereiro de 2012Crônica Motor

Os bons de bico

Seis campeões na pista, a volta de Kimi Raikkonen, a ausência de Rubens Barrichello, dois estreantes no grid e muitas perguntas sobre uma provável mudança na relação de forças da categoria. Na abertura do Mundial 2012, a Fórmula 1 se mostrou mais uma vez surpreendente, capaz de tomar novo fôlego após um período de domínio de apenas uma equipe. Mas a vitória de Jenson Button no GP da Austrália, seguido por Sebastian Vettel e Lewis Hamilton – três campeões mundiais no pódio – mostrou que, apesar das certezas sobre a competência de Button e o de um ano difícil para os brasileiros, ainda é cedo para fazer previsões. Pelo menos em se tratando de um campeonato que promete emoções variadas ao longo do ano.

O primeiro destaque de 2012 foi o bom desempenho da McLaren. Equipe que sempre andou bem na pista de Melbourne, é verdade, mas que chamou a atenção com uma dobradinha no treino classificatório, a melhor volta da prova e uma quase dobradinha na corrida (sendo que o terceiro lugar de Hamilton foi mais fruto das circunstâncias do que mérito da concorrência). O domínio de um time que foi na contramão do que os rivais vinham fazendo e não adotou o horrendo degrau no bico por já ter um carro mais baixo, uma evolução dos antecessores. Sem sustos, Button tomou a primeira posição do companheiro e rumou para sua 13ª vitórias na carreira.

Enquanto a McLaren iniciou a temporada tentando provar que o único nariz com degrau que deu certo na F-1 foi o Alain Prost, a RBR viveu uma corrida atípica para quem faturou 27 vitórias nos últimas três temporadas. Bicampeão mundial aos 24 anos, Sebastian Vettel já mostrou que é maduro o suficiente para fazer uma prova inteligente, na qual ganhe pontos que serão úteis lá no fim do campeonato. Ciscando daqui e dali, o alemão ainda conseguiu superar Hamilton no momento da entrada do safety car (causado pelo abandono de Vitaly Petrov junto ao muro dos boxes) e terminou na segunda posição. Manobra que, somada à vitória de Button, fez com que o campeão de 2008 subisse ao pódio emburrado. Se F-1 desse medalha em vez de troféu, Hamilton faria aquele papel ridículo do atleta que recebe a sua e logo tira do pescoço.

Os brasileiros tiveram uma corrida para esquecer e um começo de ano para preocupar. Num fim de semana cheio de problemas, os dois literalmente se engancharam numa disputa pelo 13º lugar no terço final da prova. Enquanto isso, lá na frente, a outra Ferrari e a outra Williams brigavam pelo quinto posto. Para Felipe Massa, a boa prova de Fernando Alonso, carregando um piano vermelho da 12ª até a quinta posição, torna ainda mais difícil sua tarefa de terminar o Mundial à frente do espanhol. Aliás, se mantiver o padrão deste GP da Austrália ao longo de 2012, a Ferrari reviverá os tempos de Alesi-Capelli, 20 anos depois.

Já para Bruno Senna, que foi atingido por uma STR ainda na largada e teve sua prova comprometida, o desempenho de Pastor Maldonado pode ser considerado surpreendente, mas é bom abrir o olho com o venezuelano, agora em seu segundo ano na categoria. Pastor largou em oitavo, deu calor em Schumacher e Alonso e só não faturou uma ótima sexta posição porque errou na metade da última volta, quando estava em vias de ultrapassar a Ferrari do bicampeão mundial. No fim, a conclusão inevitável: quem assistiu ao GP da Austrália ficou com a impressão de que a McLaren é o carro a ser batido. Provavelmente, Maldonado pensa isso da Williams: deu uma senhora panca com o carro azul e branco nos muros do Albert Park.

Confira o resultado final do GP da Austrália, em Melbourne (307,574 quilômetros):

1 – Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) – 58 voltas em 1h34m09s565
2 – Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault) – a 2.139
3 – Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes) – a 4.075
4 – Mark Webber (AUS/RBR-Renault) – a 4.547
5 – Fernando Alonso (ESP/Ferrari) – a 21.565
6 – Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari) – a 36.766
7 – Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault) – a 38.014
8 – Sergio Perez (MEX/Sauber-Ferrari) – a 39.458
9 – Daniel Ricciardo (AUS/STR-Ferrari) – a 39.556
10 – Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes) – a 39.737
11 – Jean-Eric Vergne (FRA/STR-Ferrari) – a 39.848
12 – Nico Rosberg (ALE/Mercedes) – a 57.642
13 – Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault) – a 1 volta
14 – Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth) – a 1 volta
15 – Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth) – a 2 voltas

Não completaram:

Bruno Senna (BRA/Williams-Renault) – a 4 voltas / abandono
Felipe Massa (BRA/Ferrari) – a 11 voltas / abandono

Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault) – a 16 voltas / abandono
Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault) – a 21 voltas / mecânico
Michael Schumacher (ALE/Mercedes) – a 47 voltas / câmbio
Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault) – a 56 voltas / acidente
Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes) – a 57 voltas / acidente
Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth) – não participou/fora do limite de 107%
Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth) – não participou/fora do limite de 107%

Melhor volta: Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) – 1m29s187, 56ª volta

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Um Comentário

  1. Escrito 20 de março de 2012 em 19:41 | Permalink

    Sinceramente, acho muito sedo para cravar a McLaren como favorita.
    Tenho a impressão que este campeonato vai ser muito disputado.

    Elson Aquino

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Jornalista, 35, blogueiro, carioca, taurino, apaixonado e pseudopiloto de kart.