26 de março de 2011Crônica Motor

Os quatro de Melbourne, dez anos depois

Neste domingo, o GP da Austrália abrirá mais uma temporada do Mundial de Fórmula 1. Há dez anos, também foi assim. A corrida que abriu o campeonato de 2001 contou, na ocasião, com quatro estreantes na pista. Pilotos com bom histórico nas categorias que haviam disputado antes da F-1, e com diferentes aspirações diante dos carros que guiariam naquele ano. Seus nomes? Juan Pablo Montoya, Fernando Alonso, Kimi Raikkonen e Enrique Bernoldi.

Por ter o melhor equipamento dos quatro, Montoya foi quem apareceu mais cedo nos pódios, faturando as primeiras poles e também sua primeira vitória já naquele ano. O colombiano seria um dos mais ferrenhos adversários de Michael Schumacher – a força dominante da época – até o fim de 2004, quando fez sua última temporada na Williams. As duas temporadas seguintes, no cockpit da McLaren, foram por demais conturbadas, tanto que acabaram culminando na aposentadoria precoce de Juanito.

Se a Sauber e a Minardi não eram os carros dos sonhos de Raikkonen e Alonso, pode se dizer que a sorte não demorou a sorrir aos dois. O finlandês saltou para a McLaren já no ano seguinte, ao passo que o espanhol cumpriu um ano como test-driver da Renault antes de assumir uma das vagas do time em 2003. E ambos revelaram-se boas apostas. Kimi ficou na equipe inglesa até o fim de 2006, somando dois vice-campeonatos, enquanto o Príncipe das Astúrias levantou o caneco em 2005 e 2006. Ambos mudaram de ares em 2007, com Raikkonen sendo campeão na Ferrari, derrotando a McLaren que à altura contava com Alonso. O finlandês ainda andaria mais dois anos pela Scuderia, até ser substituído justamente pelo espanhol.

Em se tratando de Fórmula 1, o destino não foi dos mais generosos com Enrique Bernoldi. Guiando pela Arrows, o piloto jamais teve um carro à altura de seu talento e precisou passar pelo papelão armado pelo chefe do time, o astuto Tom Walkinshaw, de não se classificar propositalmente numa prova na metade da temporada 2002. Sem dinheiro para pagar fornecedores, o time fechou as portas logo na corrida seguinte, deixando o brasileiro à deriva na categoria.

Pois bem. Dez anos se passaram e vejam onde estão aqueles quatro estreantes hoje em dia. Alonso, o único que restou na Fórmula 1, goza da reputação de ser o melhor piloto da atualidade, e é a esperança da Ferrari para retornar à condição de campeã mundial de pilotos. O último campeão pela equipe, Kimi Raikkonen, hoje se dedica a outro Mundial, o de Rali, e vai muito bem, obrigado, com seu time próprio, a IceOne Racing. Juan Pablo Montoya, que reencontrou a felicidade correndo nos Estados Unidos (onde já havia sido campeão da Indy), virou piloto de ponta na NASCAR, principal categoria de turismo do planeta. E o batalhador Enrique Bernoldi, depois de algumas idas e vindas, tornou a correr no exterior: ao lado do amigo Ricardo Zonta, o paranaense é piloto oficial da Nissan no FIA GT1, o Mundial de Gran Turismo. Em suma, todos em bons momentos de suas carreiras, sem muito o que reclamar da vida.

E já que voltamos aos dias de hoje, é hora de prestar atenção nos estreantes deste fim de semana, Pastor Maldonado, Sérgio Perez, Paul Di Resta e Jérôme D’Ambrosio. Uma turma com potencial, sim. Mas será que daqui a dez anos olharemos para eles com a mesma admiração que os quatro rapazes de 2001 nos causam uma década depois? Difícil dizer. Certo, mesmo, é que esta história pode servir de inspiração para os jovens aprendizes de 2011…

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Jornalista, 35, blogueiro, carioca, taurino, apaixonado e pseudopiloto de kart.