11 de fevereiro de 2010Autoteca

Livros velozes (internacional): The Piranha Club

Não só de glamour, velocidade, dinheiro, caviar e champagne vive a Fórmula 1. Os personagens deste circo são responsáveis por diversas movimentações que, no final das contas, acabamos vendo nas pistas – ou, às vezes, não. E é para isso que Timothy Collings escreveu e lançou, em 2001, o livro “The Piranha Club”, tendo feito uma reedição atualizada três anos depois. Poucos livros escancaram de forma tão crua o mundo mesquinho da Fórmula 1.

Uma pena que ainda não exista uma versão traduzida para o português, mas para quem tem um bom inglês, a leitura é deliciosa (um bom dicionário inglês-português ao lado também ajuda). Por várias vezes o leitor vai se surpreender e dizer para si mesmo: “disso eu não sabia”. Ele passa pela biografia de diversas personalidades da F1, incluindo os chefes de equipe Enzo Ferrari, Rob Walker, Colin Chapman, Ron Dennis, Eddie Jordan, Flavio Briatore, entre outros, ajudando a explicar como funciona o status quo da categoria.

O autor inicia o livro contando os bastidores da história da mudança de Michael Schumacher da Jordan para a Benetton após somente uma corrida. Para quem não se lembra, o desconhecido alemão pilotava para a Mercedes no campeonato mundial de esporte-protótipos, e estreou na F-1 pela Jordan substituindo o belga Bertrand Gachot – preso por usar spray de pimenta contra um taxista em Londres – no GP da Bélgica de 1991. Sua entrada se deu graças a uma graninha da montadora.

Depois disso, os olhos de Flavio Briatore e Tom Walkinshaw cresceram para cima do piloto, e logo no GP seguinte, o da Itália, ele já ocupava um dos cockpits do time italiano, no lugar de Roberto Pupo Moreno. O mesmo capítulo revela a luta do brasileiro na justiça para retomar seu lugar ao lado de Nelson Piquet na equipe, e da briga de Jordan para não liberar Schumacher à Benetton.

Durante a leitura, revela-se que uma pessoa sabia dos detalhes e deu início a tudo. A Mercedes o liberaria somente para uma equipe com motores Cosworth (casos de Jordan e Benetton) porque preparava sua entrada na F1 com equipe própria dentro de dois anos (por meio de Peter Sauber) e já tinha Schumi sob contrato.

Apenas Eddie Jordan e Ian Phillips, assessor de imprensa da equipe, sabiam que a Jordan iria de motores Yamaha em 1992. Eles dois e Bernie Ecclestone. Anos mais tarde, ao apresentar o pessoal da Midland para Ecclestone, Phillips se disse surpreso com o que o chefão da categoria disse sobre ele: “Eu o conheço. Já roubei um piloto deles”. Sauber entrou sozinho na F-1 e o resto da história todo mundo conhece.

Ficha técnica
Título: The Piranha Club
Autor: Timothy Collings
Editora: Virgin Books
Páginas: 321
Lançamento: 2001 (reedição atualizada em 2004)
Preço: £ 9.99
País de origem: Inglaterra

Texto

Cleber Bernuci – Jornalista, atua na área de esportes a motor desde 2001. Ex-repórter da RaceTV, contribui na edição inglesa da revista F1 Racing, já tendo chefiado a versão brasileira da publicação. Com experiência anterior em eventos como GT3 Brasil, Trofeo Maserati e Copa Renault Clio, trabalha na Reunion Sports & Marketing como um dos responsáveis pela assessoria de imprensa do piloto de F-1 Lucas Di Grassi.

Todas as quintas o Fórmula Grün publica a seção Autoteca, analisando publicações dedicadas ou relacionadas ao esporte a motor, como selos, games, filmes e livros. Caso queira ter uma resenha publicada neste espaço, envie seu texto para alex@formulagrun.com.br, sem se esquecer de acrescentar a ficha técnica do material e a imagem para ilustrar o post. A ordem de publicação obedece a critérios editoriais, priorizando a qualidade dos textos e a relevância das obras.

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Um Comentário

  1. Escrito 12 de fevereiro de 2010 em 01:18 | Permalink

    O mais legal é a ironia a respeito da editora que publicou o livro. A Virgin Books pertence ao senhor Richard Branson, que, agora na condição de dono de uma equipe de F-1, também faz parte do Piranha Club. O mundo dá voltas, mesmo…

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Jornalista, 35, blogueiro, carioca, taurino, apaixonado e pseudopiloto de kart.