18 de dezembro de 2009Crônica Motor

2009, um ano ímpar

Dois mil e nove já é passado. Pelo menos para a turma do esporte a motor, que encerrou seus trabalhos há algumas semanas e agora já trabalha de olho no ano que vem. Enquanto isso, é hora de pensar no que fica desta temporada que mesclou surpresas, sustos, reviravoltas e muita velocidade.

Jenson Button e Rubens Barrichello comemoram após o GP do Brasil de F-1 2009 / Foto: Motorsport.com - Crédito: XPB.ccNa Fórmula 1, foi bem legal ver a temporada começar com o domínio da Brawn GP, equipe que soube queimar gordura quando já não tinha o melhor carro e acabou levando – merecidamente – os títulos de pilotos e construtores. Uma história cuja grandeza e surpresa podem ser resumidas num paralelo com 2008. Você se lembra em que pé estava a venda da equipe Honda há exatos doze meses? Pois é. No fim, tudo deu certo, e lá vem uma nova história para 2010, com a aquisição do time pela Mercedes.

Jenson Button, que viveu o céu no primeiro terço do campeonato, teve seu inferno no segundo e passeou no limbo durante o terceiro, foi um campeão incontestável. Aos rivais – incluindo na conta um inspirado Sebastian Vettel e um renascido Rubens Barrichello, restou a briga pelo vice. Que ficou nas mãos do garoto da Red Bull, mesmo com performances memoráveis de Rubinho na Brawn. Como aquela que lhe rendeu a honra de conquistar a centésima vitória brasileira na Fórmula 1, em Valência.

O maior susto do ano, de longe, foi o acidente de Felipe Massa na Hungria. Pela demora em se entender o que de fato havia acontecido, pela confusão de informações nos primeiros momentos e por todas as dúvidas que envolveram a recuperação do piloto. Que terminou o ano com a saúde perfeita e um filho nos braços, além da esperança de um carro melhor para a temporada vindoura. Porque, para McLaren e Ferrari, um ano de vitórias esporádicas só pode ser classificado como atípico.

As costumeiras sujeiras é que, desta vez, passaram do limite. O escândalo Renault-Briatore-Piquet, que veio à tona após a denúncia de Reginaldo Leme, mexeu com as estruturas da categoria. O caso chapiscou para todo lado, culminando no banimento do dirigente italiano e numa advertência à equipe. Nelsinho, que ainda paga a alta multa moral por ter obedecido à ordem de estampar o muro para beneficiar o companheiro, espera uma nova chance.

Enquanto isso, a Renault garante que permanece na categoria por enquanto – algo louvável depois da derrocada de Toyota e BMW. A saída das montadoras só corroborou a tese de Max Mosley, que deixou a presidência da FIA após 18 anos pregando a favor dos garagistas. Se o sucessor dele, Jean Todt, dará continuidade a esta política, só o tempo dirá. Mas, de fato, a Fórmula 1 entra em 2010 encorpada, com novas equipes e a perspectiva de grandes duelos internos. Mas isso é assunto para o ano que vem.

Valentino Rossi e seu capacete Sherk na etapa de San Marino / Foto: Motorsport.com - Crédito: YamahaDe relevante, podemos citar ainda o nono título mundial conquistado pelo italiano Valentino Rossi nas duas rodas, numa temporada que mostrou que a MotoGP é sensacional até em tempos de crise. O ‘doutor’, aos 30 anos, mescla maturidade e ousadia e ainda coloca todos os rivais no chinelo. Como faz, também, o francês Sebastièn Loeb, que  em 2009 sagrou-se hexa no WRC – que, pra quem não sabe, é o Mundial de Rali. Na Indy, agora realmente uma só, Dario Franchiti voltou em grande estilo, conquistando seu segundo título. Num ano ruim para os brasileiros, destaque para a terceira conquista de Hélio Castro Neves nas 500 Milhas de Indianápolis, poucas semanas depois de escapar da prisão em um julgamento por sonegação fiscal nos Estados Unidos. A categoria, que terá pelo menos cinco brasileiros em 2010, já anunciou seu retorno ao Brasil para o ano que vem, numa pista urbana de São Paulo.

Que venha, então, 2010. Um ano em que também será permeado por voltas, surpresas e – esperamos – menos sustos.

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Jornalista, 35, blogueiro, carioca, taurino, apaixonado e pseudopiloto de kart.